Cães Danados
Cães. Até os meus quinze anos os cães amavam-me. Eles vinham a correr para cima de mi para me lamber a cara. Hoje sonho com eles a arrancarem-me a carne. A mostrar os seus dentes sujos de loucura e instinto. A ladrarem. A insultarem a minha raça. A chamarem-me sujo. Sou persona non grata na comunidade canina. Não existe ainda rua suburbana onde eu passe e não receba uma humilhação.
Mas eu sei que mereço. Eles até os meus quinze anos beijavam a minha inocência. Quando me lambiam, sentiam o sabor doce e bruto da água. Eles não gostam do sabor a agua choca. A agua contaminada de nicotina, de sexo e de revolta.
Eu possuo a culpa. E eles tentam arranca-la da minha carne, deixando-a fluir para fora aos poucos. E eles não lambem as feridas. A podridão deve fluir. E fugir.



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