Friday, August 21, 2009

Bah!

Olá pessoas, é hora de falar. Então como todos sabem (não, ninguem sabe), cortei o cabelo. (Ovação) e desenvolvi um metabolismo estranho. Pelos vistos ultimamente me sinto mais atraido por vegetais. Estava aqui a pensar e, oh meu deus, este blog tem coisas tão ridiculas, como por exemplo isto, e "Cães e bolos alimentares com uma cereja na ponta" mas isso tambem foi há dois anos quando eu não andava ainda na Universidade (Uuuuh.) onde espero vir a graduar-me em Summa Cum Loudly e fazer muitos filmes. 

Ora bem. Quero vos dizer desde já que estou a morrer e que vou ter saudades desta vida. Estou com uma doença terminal e vou deixa
r tudo, mas TUDO à minha gata, porque é a unica que me percebe e que faz o que eu digo. E por ser a unica gata que segue ordens. No mundo! é tipo cão o rai'da gata.

Bem. Fiquem bem. Se precisarem de mim, dirijam-se ao oceano pacifico, que é onde a minha gata ira espalhar as minhas cinzas. Yeah, ela segue mesmo ordens, vocês não têm noção do que ela é capaz, so.... don't mess with my pussy!

Namasté.




Ratazanas.


Ontem à noite, a surpresa de um pequeno vulto cinzento e subtilmente inquieto ao fundo da rampa fez com que mudasse a minha perspectiva sobre muitas coisas. Eu nunca tinha visto uma ratazana. Era suposto eu mata-la. Como fazem nos filmes. A minha irmã ao fundo gritava: MATA-A! MATA-A!!!! Mas como era suposto matala? Deveria pisa-la? dar um pontapé?

SHO! fiz eu a dar golpes no chão com o meu pé. Como quem espanta um gato e não uma ratazana. Um gato normalmente foge. Um pombo normalmente voa desenfreadamente tentando sobreviver a um gigante assassino. Este animal limitou-se a mexer-se uns poucos centímetros do sulco de onde bebia agua. Sem medo de nada. Era uma ratazana, e ela devia estar a pensar que não interessava quão grande eu era. Ela sabia que eu tinha mais medo do que ela. Ela sabia que a humanidade inteira tinha mais medo do que ela. 
Apesar de tudo, apesar dos meus alaridos para ela fugir, dado que não conseguia magoa-la, ela deslocou-se com uma rapidez natural para debaixo de um carro estacionado até que desapareceu da minha vista.

Hoje de manhã, encontrei a mesma ratazana, rija e fria no chão de asfalto, também rijo e frio. Com uma vassoura e uma pá, recolhi-a e observei-a, desta vez mais de perto, onde podia ver uma expressão de ingénuo descanso, os dentes frontais realmente dão-lhe um ar bastante infantil. As suas patas, muito semelhantes às mãos de uma senhora idosa, esguia e muito, mas muito magra. E o rabo. O rabo é a parte mais curiosa. Muito comprido. Apetece corta-lo e guarda-lo numa caixa e coleccionar muitos rabos de ratazana de forma a poder tecer uma rede gigante que tapasse um bairro inteiro, e era da forma que as pessoas se deixavam de paneleirices.

Nunca vi um animal tão lindo e tão incompreendido na minha vida. Os pombos tambem têm doenças, e no entanto vemos crianças a brincarem com eles no meio da praça.

Agora com licença. Vou deitar o saco branco com a ratazana morta ao lixo.





Sunday, August 16, 2009

Cães Danados

Cães. Até os meus quinze anos os cães amavam-me. Eles vinham a correr para cima de mi para me lamber a cara. Hoje sonho com eles a arrancarem-me a carne. A mostrar os seus dentes sujos de loucura e instinto. A ladrarem. A insultarem a minha raça. A chamarem-me sujo. Sou persona non grata na comunidade canina.  Não existe ainda rua suburbana onde eu passe e não receba uma humilhação.

Mas eu sei que mereço. Eles até os meus quinze anos beijavam a minha inocência. Quando me lambiam, sentiam o sabor doce e bruto da água. Eles não gostam do sabor a agua choca. A agua contaminada de nicotina, de sexo e de revolta.

Eu possuo a culpa. E eles tentam arranca-la da minha carne, deixando-a fluir para fora aos poucos. E eles não lambem as feridas. A podridão deve fluir. E fugir.


O Meu Natal


As pessoas estão na sala.

Este natal ninguém teve a lembrança de vir ao meu quarto falar.

Ninguém. A não ser para me darem a refeição e me lavarem.

Dantes a menos ouvia as vozes ao meu lado. 

As pessoas falavam sobre temas variados.

E muito antes falavam sobre mim.

"Lembras-te das comidas que a a avó fazia? 

lembras-te quando se irritava quando o avô entrava com os sapatos sujos dentro de casa?"

Mas hoje, só ouvi retalhos de conversas inacabadas.

Os berros irritantes da minha neta a brincar com o microfone do karaoke.

A minha filha mais velha a discutir com o meu neto mais velho,

de uma forma irritante que, se estivesse em pé, e em perfeito estado, punha-os logo fora de casa.

O meu marido é se calhar o unico que me chora e me respeita com uma força maior que aquela encenada pela enfadonha discussão entre o meu neto e a minha filha mais velha.

Foi um natal que passou. 

E passaram mais. 

E eu ainda continuarei a ouvi-los cada vez mais longe, porem, cada vez mais forte. Cada vez mais alto.

Estou cansada. Vou dormir. 

Amanha preciso forças para poder falar. Para poder mostrar aos meus aquilo que sento.

Sei que parece uma loucura, mas vou tentar. Dia após dia. Até o fim.

Estou cansada. Vou dormir.

Amanhã estarei cansada.


Irei dormir.