Ratazanas.
Ontem à noite, a surpresa de um pequeno vulto cinzento e subtilmente inquieto ao fundo da rampa fez com que mudasse a minha perspectiva sobre muitas coisas. Eu nunca tinha visto uma ratazana. Era suposto eu mata-la. Como fazem nos filmes. A minha irmã ao fundo gritava: MATA-A! MATA-A!!!! Mas como era suposto matala? Deveria pisa-la? dar um pontapé?
SHO! fiz eu a dar golpes no chão com o meu pé. Como quem espanta um gato e não uma ratazana. Um gato normalmente foge. Um pombo normalmente voa desenfreadamente tentando sobreviver a um gigante assassino. Este animal limitou-se a mexer-se uns poucos centímetros do sulco de onde bebia agua. Sem medo de nada. Era uma ratazana, e ela devia estar a pensar que não interessava quão grande eu era. Ela sabia que eu tinha mais medo do que ela. Ela sabia que a humanidade inteira tinha mais medo do que ela.
Apesar de tudo, apesar dos meus alaridos para ela fugir, dado que não conseguia magoa-la, ela deslocou-se com uma rapidez natural para debaixo de um carro estacionado até que desapareceu da minha vista.
Hoje de manhã, encontrei a mesma ratazana, rija e fria no chão de asfalto, também rijo e frio. Com uma vassoura e uma pá, recolhi-a e observei-a, desta vez mais de perto, onde podia ver uma expressão de ingénuo descanso, os dentes frontais realmente dão-lhe um ar bastante infantil. As suas patas, muito semelhantes às mãos de uma senhora idosa, esguia e muito, mas muito magra. E o rabo. O rabo é a parte mais curiosa. Muito comprido. Apetece corta-lo e guarda-lo numa caixa e coleccionar muitos rabos de ratazana de forma a poder tecer uma rede gigante que tapasse um bairro inteiro, e era da forma que as pessoas se deixavam de paneleirices.
Nunca vi um animal tão lindo e tão incompreendido na minha vida. Os pombos tambem têm doenças, e no entanto vemos crianças a brincarem com eles no meio da praça.
Agora com licença. Vou deitar o saco branco com a ratazana morta ao lixo.



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